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26/10/2012

EDITORIAL Infraestrutura em falta

"Uma grande oportunidade se abriu para os produtores paranaenses de soja, mas que infelizmente não será totalmente aproveitada – não por sua culpa, porque eles fizeram sua parte: segundo reportagem publicada ontem na Gazeta do Povo, todo o país deve colher 81 milhões de toneladas da oleaginosa na próxima safra. Mais importante: com a quebra da safra nos Estados Unidos, a previsão é de que 39 milhões de toneladas sejam exportadas, um aumento de 25% em relação à temporada anterior, fazendo do Brasil o maior fornecedor mundial de soja. Mas a infraestrutura para o escoamento da produção não acompanha o desempenho excepcional nas lavouras.
Filas de caminhões na BR-277, entre Curitiba e o Litoral, e de navios no Porto de Paranaguá são cenas que nos acostumamos a ver ano após ano. E o início de 2013 não deve ser diferente: apesar das obras que vêm sendo realizadas tanto na rodovia quanto no porto, muitas delas não estarão prontas até que a safra comece a descer a serra. O consultor Luiz Antônio Fayet chegou a dizer à Gazeta do Povo que, na temporada passada, o agronegócio deixou de produzir 3 milhões de toneladas de soja simplesmente porque não tinha como fazer o produto circular. O fato de o potencial agrícola do Paraná não ser plenamente aproveitado por questões alheias ao trabalho nas lavouras deveria acender uma luz amarela, se não vermelha, para os responsáveis pela infraestrutura do estado.
Não se trata de desconsiderar o trabalho que a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e a concessionária Ecovia, responsável pelo trecho da BR-277 entre Curitiba e Paranaguá, vêm fazendo. As obras no porto, especialmente, estão finalmente saindo do papel após anos de paralisia, revelando uma mentalidade dirigida ao médio e longo prazo, ainda mais quando é sabido que a movimentação em Paranaguá deve dobrar até 2030, segundo estudo da Universidade Federal de Santa Catarina divulgado em fevereiro. Mesmo que as melhorias no porto sejam suficientes para absorver toda essa demanda, como prevê o estudo da UFSC, restaria a dificuldade de levar ao Litoral não apenas a soja, mas todos os outros produtos que o Brasil exporta por Paranaguá.
A solução para este problema existe: a construção de um novo ramal ferroviário, descendo a Serra do Mar por outro trajeto, muito menos sinuoso que o da ferrovia atual, que força as composições a trafegar com lentidão entre as montanhas. Um novo traçado reduziria em 70% o tempo de viagem entre Guarapuava, nos Campos Gerais, e Paranaguá – das 19 horas e 20 minutos atuais para seis horas e 20 minutos, contra seis horas e meia do transporte por caminhão. Os estudos necessários para a viabilização do projeto já existem, tendo sido elaborados pelo Instituto de Engenharia do Paraná, e há um consenso entre os paranaenses sobre a importância da obra.
Com a nova orientação do governo federal, que pretende contar de forma mais intensa com a iniciativa privada para as obras de infraestrutura, há uma grande chance de transformar este projeto em realidade. A primeira versão do plano de concessões recentemente anunciado pela União não contemplou satisfatoriamente essa demanda, mas felizmente já existem tratativas em andamento entre a União, o governo estadual e a sociedade paranaense, representada pelo Fórum Permanente Futuro 10 Paraná, para uma correção de rumos que integraria esse ramal ao pacote, alimentando esperanças de que, em alguns anos, o agronegócio paranaense possa se dedicar plenamente a extrair o máximo do campo sem medo de desperdiçar a colheita por falta de infraestrutura”.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/conteudo.phtml?id=1309301&tit=Infraestrutura-em-falta

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